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Falar sobre a morte para consciência da vida

Negar a morte significa não permitir o confronto interno com tal ansiedade...

Por Regina Célia Pastore Mello - Psicóloga - em 06/05/2023 às 14:10:32

Foto de ilustração

Em certa dinâmica de grupo no Projeto Bem Viver, surgiu o assunto da morte no final de nossa atividade. Uma senhora sugeriu para não terminarmos aquele encontro falando sobre a morte. Isso remeteu-me a pensar o quanto é difícil, mas também o quanto é importante tratar do tema: morte.

O medo da morte é um sentimento que a maioria das pessoas não pode suportar. Consciente ou inconscientemente, tentam afastar a ideia da morte. Negar a morte significa não permitir o confronto interno com tal ansiedade. A escritora Muriel Spark cita que gostaria de criar o hábito de pensar na morte todas as noites: "praticar a lembrança da morte intensifica a vida, sem o sentido sempre presente da morte a vida é insípida - é como viver só de clara de ovos". A conscientização de nossa mortalidade pode enriquecer o nosso amor pela vida. Dentro da vida há morte. As transformações sucessivas em nosso corpo e em nossa mente nos remetem ao contato com a vida e com a morte. É fato que desde bebê até adulto, passamos por inúmeras mudanças. Em meio a tantas mudanças, muitas vezes o sentido da vida empalidece por causa de sonhos desfeitos, ilusões perdidas, expectativas frustradas. Os momentos de depressão geram um isolamento e a visão de um novo projeto de vida torna-se impossível. No entanto, as crises são oportunidades para reflexão. Devo buscar agora um novo desafio e uma nova realização em minha vida? Uma fase morre para começar outra.

O medo da morte traduz a incapacidade humana para lidar com angústias. Porém, as angústias são inevitáveis, como por exemplo, tantas situações incertas e inesperadas que vivemos: morte de pessoas queridas, momentos de instabilidade profissional-desemprego, etc.

Existe uma forma saudável de tolerar as angústias: conversar. Numa conversa há a possibilidade de autoconhecimento reflexivo a respeito desta travessia entre o nascer e o morrer onde se encontra a nossa história pessoal. Uma história pessoal em constante movimento, com momentos dolorosos e com momentos alegres, mas em busca de harmonia. Como dizia Heráclito, filósofo grego: "Tudo se faz por contraste, da luta de contrários (vida-morte) nasce a mais bela harmonia".

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